A Lógica das Remoções Forçadas do governo do estado do Ceará

Publicado: setembro 12, 2013 em COMUNIDADES DO TRILHO, Copa do Mundo, PROJETO[S] VLT, Vídeo

Durante a confraternização anual da Cooperativa de Construção Civil do Ceará (COOPERCON-CE), o governador do Ceará, cid gomes (PROS), foi flagrado negociando os espaços desapropriados do Metrofor com donos de grandes construtoras.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=CuNLLuPu8WU]

O vídeo demonstra o alvo apontado pelo governador para satisfazer a sanha pelo lucro do empresariado da construção civil e da especulação imobiliária.

A filmagem também mostra como o governador explicita o estado como um grande balcão de negociatas, que vê nas comunidades pobres o ‘baixo custo’ para suas empreitadas servis ao empresariado.

Algumas observações sobre o vídeo:

No início ele fala do itinerário da linha leste do metrô de Fortaleza, que virá do Centro passará pela Aldeota, Papicu e depois desce pela Cidade 2000 até a Washington Soares. Diz que em 3 localidades ele garante a desapropriação: Nunes Valente, Leonardo Mota e no Papicu próximo ao HGF.

Pela lógica como vem sendo tocados os projetos (VLT, CIPP, CAC …) dessa (indi)gestão estadual, consideramos que provavelmente a comunidade do Campo do América (Nunes Valente) poderá ser aterrorizada com um processo de remoção forçada. Assim também como a Comunidade da Verdes Mares (Próxima ao HGF).

Aos 0:27 minutos cid gomes fala para os empresários: “Você faz a estação lá em baixo […] eu vou ter que desapropriar […] e aí da pra verticalizar”

–     Ele ‘joga’ pro empresáriado a construção da estação e já diz que desapropria pra eles verticalizarem.

–     Entenda Verticalizar por construir prédios.

Aos 0:38 minutos ele propõe o “Rolo” com os empresário. A partir daí até os 0:54 minutos ele ‘explica’ o tal ‘rolo’, que consiste basicamente no seguinte: ele (o governador) desapropria por que “o estado tem o poder de desapropriar” e os empresário dão uma grana, “tipo uma idenização” para o estado fazer o serviço sujo das desapropriações.

Ou seja, o estado abre as pernas, a iniciativa privada entra com uma micharia  para pagar “tipo uma idenização” e o estado faz o serviço sujo de desapropriar. E depois entrega para os empresários construírem prédios, especular e ganhar muita grana. E a população fica onde nesse joguete ?

Aos 0:54 minutos o empresário joga a ‘bola’ da construção da estação para o governador. O empresário diz “Você constrói a estação e eu fico com o direito de edificar em cima”. O governador prontamente muda de opnião – contráriando sua proposta inicial (0:27) em que ele ‘jogava’ para os empresário a construção da estação – e diz “Eu construo a estação, por que eu tenho dinheiro pra isso, mas já façam o projeto e prevejam a verticalização”.

Mudou de opnião tão rápido né ? Logo assumiu que iria construir a estação e que tinha dinheiro pra isso. Talvez por não querer ‘ficar por baixo’. E lembrando, esse dinheiro que ele diz que tem, não é dele, é nosso.

Muda de opnião rápido para o empresariado mas pra fazer um processo de remoção digna é a ferro e fogo. Já se vão quase quatro anos de MUITA LUTA e RESISTÊNCIA das comunidades que moram próximo ao trilho e o governo continua querendo enganar, aterrorizar, humilhar e matar através de muita OPRESSÃO, REPRESSÃO, DEPRESSÃO, FALTA DE TRANSPARÊNCIA E VIOLAÇÃO DE DIREITOS.

A partir do 01:07 minutos o governador retoma a conversa sobre o ‘rolo’ e reafirma “Esse dinheiro que o estado está desapropriando, vocês me dão e isso fica sendo um valor … contabiliza ai como uma coisa pra …”  e pra finalizar ele se compromete em trazer o tal do “tatuzão” e diz que vaí para vááááários eventos em Portugal. Hun, sei ! Foi turistar as custas da nossa força de trabalho e entregar nossas riquezas.

Essa é um pouco da lógica perversa que o estado adota nos processos de desapropriação forçadas para projetos que são apresentadas para a população como melhorias.

É assim com população rural do Baixio das Palmeiras no Crato para construção do Cinturão das Águas(CAC). É assim com as pessoas em Santa Quitéria para a mineração de urânio. É assim na Chapada do Apodi para as multinacionais da fruticultura irrigada/envenenada. É assim no Cumbe e em várias localidades da zona costeira para a criação de camarão, energia eólica e turismo. E é assim em muitos lugares e em muitos projetos.

Essa é a lógica, a lógica perversa do capital que  se traveste de benefícios sociais, ambientais e estruturais. Pra que e Pra quem ???

Continuaremos  Lutando e Restindo Bravamente !!!

 

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