Arquivo da categoria ‘Cartas Públicas’

Todo Apoio a Luta contra os despejos forçados do cinturão das águas do $eará (CAC) do ceará e da transposição do rio São Francisco.

” SOMOS TODOS BAIXIO DAS PALMEIRAS ”

CONTRA AS REMOÇÕES FORÇADAS

Carta aberta à sociedade cearense, ao Governador do Estado do Ceará, Cid Gomes e à Presidenta do Brasil, Dilma Roussef em ocasião da assinatura da ordem de serviço do VLT, obra de remoção de nosso povo trabalhador.

É com profundo e revoltante pesar que nós, moradores das Comunidades dos Trilhos, organizadas no Movimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM), lançamos esta nota pública ao conhecimento da ampla sociedade brasileira e cearense que acompanha solidariamente nossos anos de luta para a permanência de nossas famílias, avós, netos, pais e filhos em nosso lugar de moradia.

Hoje, dia 27 de fevereiro de 2012, manifestamos o nosso pleno e total desacordo com o ato da Presidenta Dilma Roussef no que se refere à assinatura da ordem de serviço para a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), metrô de superfície que será construído ao longo de 12,7 km dentro Fortaleza, passando por 22 bairros e dezenas de comunidades em Fortaleza-CE, atingindo quatro mil (4.000) de nossas famílias.  Durante estes longos dois anos de pressão por parte do Governo, sofremos com a ação de várias empresas terceirizadas que,a serviço do Estado, percorreram as comunidades para realizar cadastros, marcar e medir nossas casas. Para tanto, fizeram uso constante dos mais inescrupulosos recursos: moradores, incluindo idosos, foram ameaçados e intimidados; inúmeras casas foram marcadas sem o conhecimento e consentimento dos moradores; nossos domicílios e nossa intimidade foram violados; documentos foram recolhidos sem explicação.

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CARTA ABERTA AO POVO DE FORTALEZA

02 de agosto de 2010

Somos cidadãos e cidadãs, trabalhadores e moradores das Comunidades do Trilho desde o ano de 1940. Como milhares de fortalezenses, com a força de nosso braço e o suor de nosso rosto ajudamos a construir a nossa cidade.

Mesmo assim, com mais de setenta anos de moradia e história, projetos externos referentes à Copa de 2014 ameaçam nosso direito adquirido à Cidade.

SABEMOS NOSSOS DIREITOS!

Pela Constituição Estadual (art. 7º) temos o direito assegurado de que qualquer projeto que envolva nossos direitos, principalmente no que se refere a moradia, trabalho, escola, creche, vínculos familiares e todas as relações comunitárias, tem de nos ser previamente comunicado inclusive de forma a garantir a participação popular nas definições do investimento público. Isto não aconteceu, mesmo depois de havermos buscado essas informações junto aos órgãos responsáveis. Nenhuma explicação e muito menos informação recebemos.

TEMOS DIREITO A MORADIA, SIM!

Não seremos enganados! Sabemos que o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor do Município de Fortaleza asseguram o direito a cidade, à terra urbana, à moradia digna, ao saneamento ambiental, a infra-estrutura urbana, ao transporte, aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer para as presentes e futuras gerações (art. 3º, §1º, inc. II).

Estamos sendo feridos no exercício dos nossos direitos! Que democratização é essa que a maior fatia do bolo sempre fica com os poderosos que querem retirar nosso direito de morar em nossas casas? Será que estão pensando nas futuras gerações? Porque os poderes públicos não usam uma parte desse dinheiro para melhorar a qualidade de vida e a infra-estrutura aqui das nossas comunidades? Temos o direito de morar aqui, sim! Direito esse já existente há muito tempo pela permanência de nossas famílias nesta área, conforme diz a constituição Federal (art.183).

EXIGIMOS RESPEITO!

Existem aqui, ao longo da Via Férrea Parangaba-Mucuripe, famílias que moram ah 70 anos e até mais. Nossos filhos e netos nasceram aqui. Construímos em mutirão, uma vila de casas, a capela Nossa Senhora das Graças, os Centros Comunitários e lutamos por melhorias como saneamento básico, água, luz, e diversos outros projetos. Fizemos muito pelas nossas comunidades para que pudéssemos habitar em nosso chão com dignidade. Nosso trabalho e nossas atividades também acontecem na mesma área ou em áreas próximas.

Este direito ao nosso chão é sagrado e não vamos entregá-lo porque é aqui que acontece nossa VIDA e não passa pela nossa cabeça termos que sair para outro lugar.

DEPOIMENTO DE MORADORA:

Eu moro há 49 (quarenta e nove) anos na minha casa, quando eu e meus pais chegamos lá não tinha água, nem luz, só tinha mato e o trilho. Podíamos contar os casebres que havia, nós vínhamos do interior sem dinheiro e sem lugar para ficar, foi que um senhor cedeu um quartinho para nós ficarmos enquanto meu pai construía a nossa casa. Ela foi construída por varas e barro do próprio lugar.

Nós nunca soubemos que as terras tinha dono, porque elas eram praticamente do mesmo jeito que Deus deixou, e que eu saiba ele não deixou escritura de terras pra ninguém, então, temos todo o direito sobre elas, porque foi nós que cuidamos, agora não temos culpa se ela se tornou uma área nobre e só para os ricos. Sair da minha casa pra mim é uma das piores mortes, é aquela que vai te matando aos poucos de tristeza e solidão, porque os meus vizinhos e os meus amigos fazem parte da minha família.

Eu já não durmo e nem como direito, já perdi 05 (cinco) quilos e isto é só o começo! Quando eu era adolescente as pessoas falavam que com o tempo não iria existir emprego porque tudo seria na base da máquina e do robô, só que pelo que vejo os robôs são os próprios humanos, porque fazer isto com milhares de famílias indefesas é desumano, isto não é coisa de Deus”.

 

PORQUE NÃO QUEREMOS SAIR DAQUI:

  • Aqui está nossa história de vida!

Sabemos que a Copa vai gerar alguns poucos empregos temporários, também não somos contra e queremos as melhorias para a nossa cidade, SIM! O que não QUEREMOS é sair daqui, pois é aqui que está nossa história de vida, nossos laços de amizade, de convivência, de luta. Por que é que temos que sair? Porque somos os excluídos da nossa própria cidade?

Aqui foi onde nascemos, crescemos e nos tornamos adultos, formando novas famílias. Famílias de bem que querem ter um lugar digno para morar e este lugar é exatamente aqui, onde estamos e vamos permanecer.

 

EXIGIMOS PARTICIPAÇÃO POPULAR NAS POLITICAS PUBLICAS DO ESTADO E DO MUNICIPIO, CONSEQUENTEMENTE NO PROJETO HABITACIONAL DE FORTALEZA!

NÃO VAMOS SAIR DAQUI!

SOMOS CONTRA A REMOÇÃO DE NOSSO POVO!

VAMOS LUTAR COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS!