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Matéria da Agência Pública de Jornalismo Investigativo sobre o VLT, projeto usado como desculpa de “mobilidade urbana” para remover as comunidades ao longo do trilho, e assim ‘valorizar’ empreendimentos e setores da construção civil e especulação imobiliária.

A MATÉRIA

Obra ameaça 5 mil famílias em Fortaleza

02.10.13 Por Ciro Barros e Giulia Afiune
Efigênia, moradora da comunidade Caminho das Flores, é uma das ameaçadas de remoção. Cerca de 5 mil famílias podem ser atingidas, de acordo com a Defensoria Pública do Estado (Foto: Roger Pires/Comitê Popular da Copa)
Construção do VLT Parangaba-Mucuripe prossegue, apesar da resistência dos moradores e de contestações do MPF, da Defensoria Pública e do TCE

Alisson da Silva acordou assustado com o barulho de motosserras derrubando as árvores em frente à sua casa na comunidade dos Jangadeiros, onde nasceu e cresceu, em Fortaleza (CE). “As pessoas saíam de suas casas apavoradas, muitas estavam chorando. Eu perguntava aos moradores se alguém tinha ouvido falar, se tinha algum comunicado sobre o que era aquilo, mas ninguém tinha”, conta o estudante de cinema, de 22 anos, ao lembrar daquele fatídico 17 de janeiro de 2013.

Como ele já sabia que sua comunidade ia ser atingida pelo VLT, obra de mobilidade urbana para a Copa de 2014, imaginou que fosse esse o motivo da intervenção. Ele e os vizinhos, foram então falar com os funcionários. “Formamos uma roda com cerca de 20 moradores para tentar conversar e entender o que estava acontecendo. Eu mostrei uma decisão judicial que a gente tinha, que impedia a realização de obras do VLT antes do reassentamento das famílias. Mas os funcionários alegavam que tinham uma autorização da própria Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente). Mesmo com a ordem judicial na mão, eu não podia colocar meu braço na frente de uma motosserra. Na maior arbitrariedade, eles ignoraram a gente. Continuaram derrubando as árvores”, relata.

Um golpe para os moradores que há quase 4 anos resistem ao processo de expulsão de suas comunidades. O operador de call center, Edivan de Miranda, de 36 anos, não deixou sequer os funcionários da empresa Mosaico, contratada pelo governo estadual, realizar a medição técnica do seu apartamento. “Eles passaram aqui na frente duas vezes, ficaram observando. Bateram na porta e eu fiz de conta que não escutei, que não tinha ninguém em casa. Desistiram e partiram para a próxima casa.”

Não foi uma reação de momento. Antes de receber essa visita, Edivan já tentava convencer outros moradores do bairro a impedir as medições. “Eu dizia: ‘Olha, não temos garantia nenhuma do governo, não tem a menor segurança de um imóvel para reassentar as pessoas. Então não vamos deixar medir porque isso significa deixar eles avançarem”, argumentava. Alguns vizinhos concordaram, outros ficaram receosos, mas Edivan, manteve a posição: “Não vou deixar medir porque a minha casa não está à venda. Não estamos em uma calamidade pública, por que temos que sair a qualquer custo de um local que tem toda nossa história? Aqui a gente vive em um contexto de história, amigos, trabalho. Vivo aqui desde que nasci.”

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O preço do metro quadrado oferecido pelo governo do estado para as comunidades passa longe do preço atual correspondente ! A matéria informa que o preço do metro quadrado na Parangaba hoje é 4.161,36 reais.

Por quanto o estado do Ceará está avaliando o metro quadrado das casas dos moradores próximos ao trilho, na mesma Parangaba?  248 reais o m3.

[MATERIA publicada no site do jornal diário do nordeste  em 12 de setembro de 2013]

 Negócios  1º semestre surpreendente Mercado imobiliário da Capital vende R$ 1,62 bi e salta 53,8%

Valores Metro Quadrado_DNO Papicu foi a vedete do setor. O lançamento do Shopping RioMar puxou as vendas de imóveis naquela área

O desempenho do mercado imobiliário de Fortaleza no primeiro semestre deste ano foi além do esperado por representantes do setor. O volume de vendas registrado de janeiro a junho chegou a R$ 1,62 bilhão, representando um crescimento de 53,8% em relação a igual período do ano passado, que fechou em R$ 1,05 bilhão.

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Two members from about 4,000 families facing removal by a World Cup 2014 Light Rail project in Fortaleza, Brazil, managed to present a document to President Dilma Rousseff detailing the atrocities they have experienced in the project’s implementation at an event earlier this month, according to The Movement to Fight in Defense of Housing (MLDM).

Protest to prevent World Cup removals

Protesters outside inauguration of two metro stations. Photo: Mídia Ninja

About a thousand protesters greeted the president who was attending the inauguration ceremony of two metro stations, where the community members had managed to enter the highly-policed event and gain the president’s attention. In addition to those from the threatened communities, their supporters, and various other groups all protesting outside, there was a strong presence of indigenous peoples calling for a politic that values them through the demarcation, recognition, and protection of their traditional territories, according to MLDM. They were also protesting against the high frequency of indigenous deaths throughout Brazil.

Indigenous leaders at protest

Indigenous groups attend in support, along with additional demands. Photo: Mídia Ninja

The state has recently taken steps to begin construction of this World Cup Light Rail project that links the wealthy hotel area of Fortaleza to the soccer stadium despite the organized resistance among the 22 communities affected demanding to remain in their homes. But as the world has seen throughout recent months, thousands of people have taken to the streets throughout Brazil, facing violent police repression, to fight for a change in the priorities of those in power as billions of dollars enter the country for the World Cup and Olympics. The protests upon the president’s arrival in Fortaleza show this momentum is only continuing to build.

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